19 de janeiro de 2015

postheadericon 2014 foi o ano mais quente na história moderna, dizem cientistas dos EUA

O ano de 2014 foi o mais quente do planeta desde o início dos registros em 1880, de acordo com análises separadas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e da Nasa, apresentadas nesta sexta-feira (16). O parecer oficial, no entanto, ainda será divulgado pela ONU. A NOAA ainda anuncia que dezembro também marcou uma temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos sem precedentes nos últimos 134 anos para este período do ano. Para o ano, a temperatura média se situa entre 0,69°C (1,24°F) acima da média do século XX, superando as marcas prévias de 2005 e 2010, de 0,04°C (0,07°F). O relatório da agência disse que o recorde de aquecimento se propagou pelo mundo. Segundo a análise da Nasa, desde 1880, quando foi iniciada a medição, a temperatura média da Terra ficou 0,8°C mais quente, uma tendência provocada em grande parte pelo aumento das emissões de dióxido de carbono e de outros gases pelas mãos do homem na atmosfera do planeta. Além disso, os 10 anos mais quentes registrados, com exceção de 1998, ocorreram desde 2000. Essa tendência continua com o aquecimento de longo prazo do planeta, de acordo com medidas de temperatura da superfície da Terra feitas pelos cientistas da Nasa."Enquanto o ranking de anos individuais pode ser afetado por padrões climáticos caóticos, as tendências de longo prazo são atribuíveis a causas da mudança climática que agora são dominadas por emissões humanas de gases do efeito estufa", disse Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa, em Nova York, em comunicado.

Prévia
Em dezembro, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) havia divulgado durante a Conferência Climática das Nações Unidas, a COP 20, em Lima, que 2014 caminhava para ser um dos mais quentes já registrados.

Na prévia do relatório “Status Global do Clima 2014”, a agência da ONU apontou que de janeiro a outubro de 2014 a temperatura média da superfície da Terra e dos oceanos foi de 14,57 graus centígrados, 0,57ºC acima da média entre 1961 e 1990, período usado como referência pela OMM. A análise é feita a partir de resultados obtidos pela NOAA, o Met Office, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e a Nasa.

Mesmo antes da confirmação oficial ser divulgada, em dezembro do ano passado a OMM já divulgou que era possível afirmar que dos 15 anos mais quentes da história, 14 foram no século 21.

“O que vimos neste ano é consistente com o que esperamos de um clima em mudança”, disse Michel Jarraud, secretário-executivo da OMM, em comunicado divulgado pela instituição em dezembro. “As emissões recordes de gases-estufa associadas às concentrações de gases na atmosfera estão levando o planeta para um futuro incerto e inóspito”, complementou.

Impactos no Brasil
O documento da OMM cita a seca na região Sudeste do Brasil como uma das anomalias que ocorreram em consequência da temperatura global maior.

De acordo com o texto, a seca severa em áreas do leste do país e na região central “causou um déficit hídrico grave que se estende por mais de dois anos. A cidade de São Paulo tem sido particularmente afetada com a grave escassez de água e o baixo nível do reservatório Cantareira”, disse o informe.

Segundo a  meteorologia, a seca que atingiu o Sudeste brasileiro neste ano foi a pior em 80 anos. Somente no estado de São Paulo, a estiagem deverá causar a maior perda em 50 anos na agricultura.

A OMM afirma ainda que as temperaturas na América do Sul ficaram acima da média em grande parte do continente, principalmente no Sul do Brasil e no Norte da Argentina.

Tempestades e emissões
O levantamento também aponta que até 13 de novembro ocorreram 72 tempestades tropicais no mundo, total inferior à média de 89 tempestades anuais entre 1981 e 2010. Sobre as emissões de CO2, principal gás de efeito estufa, a OMM estima que os níveis atmosféricos estão em 396 ppm (partes por milhão). Uma maior quantidade desse e outros gases causa a elevação da temperatura no planeta, causando desarranjos no clima.

O documento cita que em várias partes do globo a superfície dos mares ficou aquecida, sem a ocorrência do fenômeno climático El Niño, conhecido por aumentar a temperatura na região do Pacífico e provocar distúrbios no clima em várias partes do planeta.

Sobre o degelo no Ártico, este ano, segundo a OMM, a extensão anual de gelo no Oceano Ártico foi a sexta menor já medida, totalizando 5,02 milhões de km², em 17 de setembro.

Do G1

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