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17 de março de 2015

Feirantes falam sobre preços dos espaços de venda da nova Sulanca

O anúncio do preços dos espaços de venda da nova Feira da Sulanca, em Caruaru, Agreste de Pernambuco, vem causando polêmica e preocupação entre os comerciantes. O principal motivo é o valor que será cobrado pelos miniboxes. Para comercialização no local, o preço à vista é de R$ 27.308,03. Há opções de financiamentos com entrada de R$ 4.096,00, podendo ser dividida em até três vezes. Com intercaladas de R$ 1.121,12 e 60 parcelas de R$ 334,10, o valor total sairá em R$ 35 mil. Esta decisão foi aprovada na segunda-feira (9) pelo conselho deliberativo do complexo, junto com o orçamento para a realização das obras do processo de transferência da Feira. Para Fátima Amaral, presidente do conselho, a construção do empreendimento será superior ao modelo já existente em Santa Cruz do Capibaribe, "caberá ao feirante escolher diante dos valores que serão apresentados para a compra, ou não. Ele tem o poder da escolha para a realização desse projeto de transferência”, ressalta. Para o presidente da Associação dos Sulanqueiros, Pedro Moura, "o valor é alto, mas tem como pagar, pois eles [feirantes] gastam essa quantia hoje com as despesas". As irmãs Mônica e Marciene Santana, contam que estão se adaptando à nova situação. "Como vai demorar para termos retorno, estamos nos prevenindo, vendendo para três lojas em Recife e Carpina porque só o dinheiro daqui não dá", frisa Mônica.  Também a favor da mudança, dona Creuza de Araújo, de 71 anos, é dona de três boxes e comenta entusiasmada sobre o novo projeto. "A gente se aperta, mas vale a pena. Fora outras coisas, teremos segurança e ambiente limpo. Na hora que me chamarem já estarei pronta para ir", completa. Mesmo com a opção da parcela e do financiamento, alguns feirantes dizem que não têm como adquirir um espaço. Para dona Maria José dos Santos, de 62 anos, a mudança para o novo espaço é quase improvável. "Não tenho condições. Termina o mês e não ganho 500 [reais], como vou pagar mil?", numa retórica. Há 20 anos vendendo no mesmo pequeno box, a comerciante de roupas femininas e masculinas não sabe o que fazer. "Eu sou a fonte de renda da minha família, sustento minhas filhas e meus netos. Meus dias de feira estão no fim. É muito triste", desabafa.
Contando que demorará um ano para voltar a ter lucro, o vendedor de bermudas Lucimário Borges, de 55 anos, reclama que ninguém consultou todos os comerciantes. "Só uma pequena parcela, membros do conselho, se reuniu com o prefeito", diz. Dono de quatro boxes, explica que perderá boa parte do que ganha hoje com a transferência. "Tenho nove vendedores espalhados pela feira, eles não têm como pagar esses valores, ou seja, perderei essa renda", fala.
Novo projeto 
O novo local fica às margens da BR-104, próximo ao Polo Comercial e ao Hospital Mestre Vitalino, no sentido a Toritama. O empreendimento abrirá espaço para 10.776 boxes de alvenaria, cada um com 4,20 metros quadrados. Haverá 4.532 vagas para carros de passeio e vans. Para ônibus, serão destinadas 500. A nova configuração também oferecerá diversos serviços como lotéricas e caixas eletrônicos. Estão previstas ainda 144 lanchonetes, 144 quiosques de lanches e 22 restaurantes. A área total da Feira será de 60 hectares, sendo, aproximadamente, 224 mil metros quadrados de comercial. Visita técnica no terreno para onde deve ser transferida a Feira da Sulanca Obra embargada Em setembro do ano passado, fiscais da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), junto com a promotoria de Pernambuco e secretários municipais, realizaram uma vistoria em uma área de 13 hectares do terreno, onde teria ocorrido desmatamento. Desde então, as obras estão impedidas de serem executadas. Uma audiência entre a Prefeitura de Caruaru, o Ministério Público do estado e técnicos da CPRH ocorreu no dia 10 de março para definir a situaçao do terreno que vai receber a nova Feira da Sulanca. "Estamos analisando as duas questões. A compensação ambiental e o processo de licenciamento do empreendimento", informa Gilka Miranda, promotora de Meio Ambiente. Ainda não há uma data para o começo da obra, já que depende da liberação da CPRH, instituição designada para fiscalizar o espaço.

 (Foto: Thays Estarque/ G1)
 (Foto: TV Asa Branca)

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