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22 de abril de 2015

Como as empresas fazem para manter a qualidade gastando menos Toritama

Menos consumo = menos despesas = mais eficiência = mais lucro. A fórmula para os bons resultados no mundo empresarial não é nova. A grande questão, muitas vezes, é justamente como enxugar os custos do negócio, para que o faturamento valha mais. Se você está nesse dilema, que tal pensar em reduzir os gastos com água e, de quebra, ajudar o meio ambiente? Algumas pequenas empresas de Pernambuco escolheram esse caminho, investindo um pouco mais em tecnologia sustentável para colher os frutos no médio e longo prazo. Entre elas, está uma lavanderia de jeans. Localizada em Toritama, no Agreste do estado, a Mamute tem uma história longa de consumo racional. A adoção de práticas econômicas e a implantação de tecnologias de tratamento, há mais de dez anos, garantem a dupla sustentabilidade – ambiental e econômica – do negócio. “A insegurança hídrica é a maior fragilidade na nossa indústria, pela incerteza do custo do produto e pelo risco de faltar água e precisar parar a atividade. Aqui, o sistema de uso é o que permite a sobrevivência da empresa”, explica o proprietário, Edílson Tavares.

Edílson Tavares, dono da Mamute, diz que reduziu o consumo por peça de 120 litros para 49 litros de água. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Edílson Tavares, dono da Mamute, diz que reduziu o consumo por peça de 120 litros para 49 litros de água. Foto: Teresa Maia/DP/D.A Press
Segundo ele, após as adequações, foi possível reduzir o consumo por peça de 120 litros para 49 litros de água. “Na primeira etapa, apenas consertando vazamentos e diminuindo o número de enxágues, caiu para 70 litros”, diz. O resto da economia veio com o sistema de tratamento primário, que possibilita a reutilização da água em atividades nas quais a potabilidade não é necessária. A construção da estação, no início da década, custou R$ 38 mil, valor que, hoje, de acordo com o proprietário, seria o suficiente para comprar água de caminhões-pipa por apenas dois meses.

Além do retorno financeiro, o investimento no sistema de tratamento e reuso de água rendeu à Mamute um prêmio de sustentabilidade ambiental da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), em 2014. Para o presidente do Conselho Temático de Meio Ambiente da entidade, Anísio Coelho, essa conduta mais responsável tem ganho espaço entre os industriais. “O setor é ciente da nossa extrema carência de recursos hídricos. Já existem várias práticas de reutilização, de consumo consciente, embora, obviamente, haja espaço para uma solução muito maior. Alguns segmentos ainda precisam de aporte tecnológico para isso”, afirma, destacando que as perspectivas de ganho de eficiência são propulsores para a adoção dessas medidas.

Às vezes, essas perspectivas fazem parte do projeto original das empresas. O lava-carros HN Detail Car, por exemplo, abriu as portas em Caruaru, no Agreste, há apenas quatro meses, já com a proposta de consumir pouca água em todas as suas atividades. A empresa oferece uma lavagem ecológica, baseada em vapor e em solução com cera, que demanda, em média, 30 litros de água por automóvel. “Essa forma exige mais o conhecimento sobre a técnica e os produtos, mas o custo é até menor que o da tradicional, com tempo e qualidade equivalentes. O problema é que ainda há tabus a serem quebrados. Hoje, de cada cem lavagens, 15 são ecológicas”, explica o consultor técnico da HN, Ítalo Cássio.

Na lavagem tradicional, a empresa também conseguiu reduzir o volume de água consumido. “Usamos a técnicas de dois baldes, com recipientes que têm filtros mecânicos, o que nos possibilitou extinguir duas etapas de jato. Com esse processo, a limpeza de uma caminhonete pode usar até 300 litros. Sem ele, seriam 500 ou 600”, afirma o consultor. Na HN, as duas modalidades de lavagem saem pelo mesmo valor (R$ 50 ou R$ 70, dependendo da sujeira e do tamanho do veículo).

Outra empresa que já deu início às atividades com um toque de sustentabilidade foi a Benvinda Doceria, em funcionamento há dois meses, na Ilha do Leite, região central do Recife. No estabelecimento, as torneiras do lavabo e do balcão dispõem de sensores que limitam a vazão e os banheiros dos clientes e dos funcionários têm descargas com botão de duplo acionamento, que permitem regular o uso de água conforme a necessidade. “Não podemos comprar mais, porque são itens mais caros, mas a recompensa vem depois, na conta de água. Mais adiante, e meu noivo pensamos em instalar outros equipamentos, por serem bons para o negócio e para o meio ambiente”, conta a sócia Laíse Nunes.

Do Diário de Pernambuco
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