29 de junho de 2015

postheadericon CAMINHÃO-PIPA PERCORRE A PE-160, RODOVIA QUE LIGA AS CIDADES PERNAMBUCANAS DE SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE E TORITAMA

Um dos revendedores do Moda Center, diz que suas vendas e faturamento mensal de cerca de R$ 8.000 caíram até 50% desde o final do ano passado. Sua vizinha Lucinete Sobral reclama que os custos de fabricação subiram com a inflação, mas que não teve condições de repassar as remarcações aos preços finais. Ambos são eleitores arrependidos de Dilma Rousseff.
As cidades da região vivem basicamente de empregos públicos, repasses da Previdência do governo federal e de programas como o Bolsa Família, que chega a atender a mais de 30% das famílias em alguns municípios.
Depois de ter crescido a taxas “chinesas” na última década, a economia nordestina agora acompanha o ritmo do resto do país e sofre especialmente com a inflação por ter uma renda proporcionalmente menor.
Ajuste fiscal trava obras no Nordeste
O ajuste fiscal do Ministério da Fazenda atrasará ainda mais as obras da chamada adutora do Agreste, obra do PAC estimada em R$ 1,4 bilhão para levar água a 68 municípios em Pernambuco que têm juntos mais de 2 milhões de habitantes.
A região tem o pior balanço hídrico do país (número de habitantes por quantidade de chuvas). Dos 18 municípios próximos a Caruaru em situação de “colapso” neste momento, 15 poderiam ser atendidos pela adutora. No total, há 44 cidades em “colapso hídrico” em Pernambuco, e 26 em “pré colapso”.
O Ministério da Integração Nacional já repassou cerca de R$ 450 milhões para a obra, mas não há perspectiva agora para o restante, diz o presidente da Compesa, Roberto Tavares.
Com o contingenciamento de verbas federais, além da adutora do Agreste, devem atrasar as obras previstas para a Transnordestina, a transposição do rio São Francisco e o chamado Arco Metropolitano, que visa ligar sul e norte de Pernambuco sem necessidade dos veículos transitarem por Recife.
”À crise econômica veio se somar a falta de água”, diz Edilson Tavares, dono da Mamute, que fornece peças para grandes redes do Nordeste e do país, como a Marisa.
Na mesma rua da Mamute, a Rone Jeans passa por drama igual. “Estamos pensando seriamente em demitir já. Mesmo sem água e produção menor, nossos estoques estão abarrotados de roupas que saem de moda rapidamente”, diz José Ronaldo Silva, dono da empresa de 75 funcionários.
O chamado Arranjo Produtivo Local na região próxima a Caruaru gera 150 mil empregos diretos em 18 municípios e movimenta cerca de 700 milhões de peças por ano em artigos de moda.

André Felipe/Folhapress

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