28 de outubro de 2015

postheadericon Bancários do BB e Caixa aprovam o fim da greve

Os bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal de Pernambuco aprovaram na noite desta terça-feira (27) as propostas de acordos feitas pelos dois bancos e encerraram a greve após 22 dias de paralisação. Já os funcionários do Banco do Nordeste rejeitaram o acordo e continuam em greve. Os empregados dos bancos privados já haviam encerrado a paralisação no dia anterior.

Segundo a presidenta do Sindicato, Suzineide Rodrigues, os funcionários do BB e da Caixa decidiram voltar ao trabalho em Pernambuco já que a grande maioria das assembleias realizadas em todo o país encerraram a greve no dia anterior. “Os bancários construíram este ano uma das maiores paralisações da nossa história em Pernambuco. E esperavam mais avanços nas negociações com os bancos. Mas, diante do resultado das assembleias no país, decidimos voltar ao trabalho, já que a nossa campanha é nacional e nosso estado, sozinho, não conseguirá mais avanços”, diz.

O Sindicato já havia recomendado o fim da greve na assembleia realizada nessa segunda-feira, seguindo a orientação do Comando Nacional dos Bancários. Mas os funcionários do BB e da Caixa decidiram permanecer parados em Pernambuco. “Infelizmente, as negociações deste ano com os bancos foram as mais difíceis da última década. As instituições financeiras aproveitaram o cenário de crise econômica para tentar retirar direitos e rebaixar os salários dos bancários. Foi a força da nossa greve que conseguiu manter o poder de compra e todos os direitos da nossa categoria. Não foi um ótimo acordo, mas foi, sem dúvida, uma grande vitória diante da atual conjuntura”, explica Suzineide.

A presidenta do Sindicato destaca que as negociações deste ano foram bastante tensas e que os bancos públicos dificultaram o diálogo. “Muitos funcionários dos bancos públicos acreditam que as negociações poderiam render mais frutos se fossem separadas dos bancos privados. Mas é o contrário. Este ano, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, havia colocado um teto de reajuste salarial nos bancos públicos de 7,5%. Só conseguimos chegar aos 10% para recompor a inflação porque a mesa de negociação é unificada, o que fortalece a mobilização, já que os bancários de bancos públicos e privados lutam juntos pela mesma pauta”, explica.

Suzi lembra que nos anos 1990, quando as negociações eram separadas, “ficamos praticamente a década toda amargando uma política de reajuste zero nos bancos públicos, enquanto os privados garantiam algum aumento, mesmo que abaixo da inflação. Os mais novos não se lembram, mas basta analisar o resultado das campanhas salariais daquela década para ver que a estratégia de mesa única de negociação nos rendeu muitas vitórias”, analisa.

Questões específicas – Com a Campanha Nacional Unificada, os bancários de bancos públicos e privados garantiram este ano um reajuste de 10% para os salários, para a PLR e para o piso. A inflação do período foi de 9,88%. Já os vales refeição e alimentação tiveram um reajuste histórico de 14%. Este valor representa 3,75% de ganho real e eleva o vale refeição dos R$ 26 atuais para R$ 29,64 por dia. A cesta-alimentação sobe de R$ 431,16 para R$ 491,52 por mês.

Já as reivindicações específicas dos bancários do BB e da Caixa foram negociadas com os dois bancos de forma paralela. “É verdade que não conseguimos grandes avanços nos acordos específicos. Mas conseguimos, graças à força da greve, manter todos os direitos que os empregados do BB e da Caixa têm. E isso foi uma vitória, garantida pela greve. O Sindicato, assim como os bancários, também queria mais. Mas precisamos analisar a conjuntura para saber o momento de avançar e o momento de defender aquilo que já conquistamos”, comenta Suzi.

Ela destaca como importantes direitos mantidos o formato de pagamento semestral da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do Banco do Brasil, que corresponde à distribuição linear de 4% do lucro líquido entre todos os trabalhadores, além dos módulos bônus e Fenaban. Na Caixa, a greve garantiu a manutenção da PLR adicional de 4% do lucro distribuída igualmente entre todos os funcionários e a suspensão da terceira onda do programa de Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP).

“Por tudo isso, podemos considerar a nossa greve vitoriosa. E, vale lembrar, que todas as reivindicações específicas que não foram atendidas nesta campanha pelo BB e pela Caixa continuarão sendo cobradas ao longo do ano nas mesas permanentes de negociação que os sindicatos mantêm com os dois bancos. Portanto, a luta continua!”, finaliza Suzi.

Dias parados – O Sindicato cobrou e o Banco do Brasil e a Caixa aceitaram não descontar este dia de greve a mais feito pelos bancários de Pernambuco. Todos os 22 dias de paralisação devem ser compensados com, no máximo, uma hora de trabalho a mais por dia, entre 4 ou 5 de novembro (quando o acordo será assinado) até 15 de dezembro. Este acordo resultará em anistia de 63% dos dias parados para quem faz jornada de seis horas e de 72% para quem faz de oito horas.

Fonte: Seec PE
Criado por: Fábio Jammal e Postado em: 27/10/2015 22:03:40

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