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4 de outubro de 2015

Em pouco mais de uma semana após legalização, partido de Marina Silva já supera bancada do Psol no Congresso

O partido criado pela ex-senadora, Marina Silva, completa pouco mais de uma semana de registro autorizado pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas já tem status de bancada no Congresso Nacional. Com a adesão de cinco deputados e um senador, a Rede Sustentabilidade ultrapassa o Psol. Com isso, passa a ter direito a tempo de liderança para discursos e pode apresentar destaques em votações em plenário.Os partidos historicamente identificados como de esquerda foram os que mais perderam para Rede. Além de atrair o senador socialista Randolfe Rodrigues, o partido de Marina recebeu deputados do PCdoB, PPS e PT. Aliás, uma das maiores apostas da nova legenda é o ex-petista Alessandro Molón. Eleito com a maior votação entre os deputados do PT pelo estado do Rio de Janeiro em 2014, ele deve se lançar candidato a prefeitura do Rio no ano que vem. Outro nome forte para as eleições municipais é o da ex-senadora Heloisa Helena. Uma das fundadoras do PSOL, e atual vereadora por Maceió, ela se filiou à Rede e deve se lançar candidata a prefeitura da capital alagoana. Marina Silva, no entanto, afirma que o projeto do partido vai muito além de lançar nomes nas urnas.

'A nossa disposição, a disposição do Miro, do Molon, da Heloísa e de todos aqueles que estão vindo é uma escolha programática. Não tem nenhum cálculo pragmático em relação a essas pessoas. Até porque nós não estamos olhando para quantidade. Nós queremos aqueles que possam nos ajudar com suas histórias, suas trajetórias a imprimir mais qualidade na representação política, no funcionamento das instituições.'

A saída de Molon do PT, para integrar a Rede, acendeu o sinal de alerta dentro da cúpula petista. O temor é de que o partido que já perdeu Marta Suplicy para o PMDB, sofra uma debandada ainda maior de parlamentares de peso. Somente no Senado, a lista de insatisfeitos inclui os senadores Paulo Paim e Walter Pinheiro. Ambos também negociam com a Rede. O presidente da legenda Rui Falcão chegou a publicar uma nota acusando os dissidentes de interesse eleitoral. Ao ser questionado sobre a situação, no entanto, ele minimizou as saídas.

'Eu não tenho um balanço. Eu sei que alguns estão entrando e alguns estão saído também. Mas provavelmente vai haver um equilíbrio de quem sai e quem entra.'

De acordo com avaliação do Departamento intersindical de assessoria parlamentar, a desidratação do PT só não foi maior nas ultimas semanas por causa da mudança na lei eleitoral promovida pela mini-reforma sancionada pela presidente Dilma. O texto criou uma janela para troca de partidos no ano que vem a sete meses das eleições. Se não fosse a alteração, quem quisesse disputar o pleito municipal tinha que fazer a mudança até o última sexta-feira. Ainda assim, o diretor do Diap, Antônio Augusto de Queiroz, afirma que o PT deve ser um dos partidos mais afetados pela criação da Rede. Segundo ele, parlamentares indignados com os escândalos de corrupção e desiludidos com os rumos da gestão Dilma, devem buscar abrigo na nova sigla.

'São basicamente três coisas: o desconforto em função dessa questão dos escândalos, em segundo a baixa popularidade da presidente, mas esses dois aspectos na minha avaliação são secundários. O que é realmente determinante, a gota d´água é o fato do governo está permitindo que conquistas históricas dos trabalhadores que o partido ajudou a construir estão em risco e o governo não esteja reagindo à altura.'

Nos estados, a entrada da Rede também já provoca mudanças importantes no quadro político. No Distrito Federal, por exemplo, a bancada do partido de Marina na Câmara Legislativa já se iguala à do PT, PMDB e PDT, sendo que dos novos filiados, dois saíram do Partido dos Trabalhadores.
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